Como El Salvador conseguiu vencer o crime organizado

Por que isso incomoda muita gente?

Vamos lá!

Por décadas, El Salvador foi sinônimo de caos. Gangues armadas controlavam bairros inteiros, impunham “pedágios” à população, recrutavam crianças à força e transformaram o país em um dos mais violentos do planeta. Em 2015, a taxa de homicídios ultrapassou 100 mortes por 100 mil habitantes, um nível típico de zona de guerra.

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Esse cenário não caiu do céu.

Foi construído ao longo dos anos por governos fracos, instituições capturadas, tentativas fracassadas de “trégua” com criminosos e um Estado que simplesmente desistiu de exercer autoridade em vastas áreas do território.

Foi nesse contexto que Nayib Bukele chegou ao poder, em 2019.

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O país antes de Bukele: o Estado ausente, o crime soberano

Antes de Bukele, El Salvador já havia tentado de tudo, menos enfrentar o problema até o fim.

As políticas de “mano dura” eram inconsistentes, enquanto negociações veladas com gangues reduziam homicídios temporariamente, mas fortaleciam o poder do crime organizado.

O resultado foi previsível: as facções perceberam que podiam chantagear o Estado.

Quando queriam pressionar o governo, bastava liberar a violência. O monopólio da força já não estava nas mãos do poder público.

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A virada: quando o Estado decidiu voltar

O ponto de ruptura ocorreu em março de 2022, após um fim de semana com 87 assassinatos em apenas 72 horas.

A resposta de Bukele foi imediata: estado de exceção, suspensão de garantias legais e uma ofensiva total contra as gangues.

Vieram então medidas inéditas na região:

Prisões em massa, com mais de 80 mil detidos por ligação direta ou indireta com facções;

– Cercos militares em cidades dominadas pelo crime;

– Isolamento absoluto de líderes criminosos;

– Construção do CECOT, a maior prisão de segurança máxima das Américas, projetada para impedir qualquer comunicação externa.

Não se tratou de uma operação simbólica.

O governo decidiu desmontar a estrutura do crime, não apenas reagir aos seus efeitos.

Os números que mudaram o rumo do país

Os dados oficiais mostram uma transformação profunda:

  • A taxa de homicídios despencou de níveis comparáveis aos de países em guerra para menos de 2 por 100 mil habitantes;
  • Cidades antes controladas por gangues voltaram à circulação normal;
  • O medo cotidiano — extorsões, assassinatos, desaparecimentos — deixou de ser parte da rotina de milhões de salvadorenhos.

É impossível ignorar o impacto real dessas mudanças. Para a população comum, não se trata de debate acadêmico: trata-se de poder sair de casa sem saber se volta.

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Por que tanta resistência internacional?

A reação de parte da imprensa internacional e de organismos multilaterais foi imediata – e previsível.

As críticas se concentram em três pontos principais:

  1. Violações de direitos individuais, com prisões sem o devido processo legal;
  2. Risco de concentração de poder no Executivo;
  3. Precedente perigoso para democracias frágeis.

 

Essas críticas não são irrelevantes.

Mas há uma pergunta que raramente é feita com honestidade:
qual era a alternativa concreta?

Manter o modelo anterior significava aceitar um Estado refém do crime, onde direitos existiam no papel, mas não na vida real.

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Democracia formal ou segurança real

O caso de El Salvador expõe uma contradição incômoda:
em países dominados por facções, a ausência do Estado já é, por si só, uma violação massiva de direitos humanos.

Direito à vida, à liberdade de ir e vir, à propriedade – tudo isso já havia sido abolido pelas gangues muito antes de Bukele endurecer as leis.

A questão central não é se o modelo salvadorenho é perfeito. Ele não é.
A questão é se ele foi eficaz – e os dados indicam que foi.

 

O que o Brasil deveria observar – sem copiar cegamente

El Salvador não é o Brasil.

Escala, território e estrutura institucional são diferentes. Mas a lição é clara:

  • crime organizado não se enfrenta com retórica, nem com conivência institucional;
  • sem controle territorial, não há Estado de Direito possível;
  • direitos humanos não sobrevivem onde o Estado é ausente.

 

Ignorar essa realidade pode ser confortável para analistas de gabinete.

Para quem vive sob o domínio do crime, é um luxo que custa vidas.

Bukele não venceu o crime organizado com discursos, mas com decisão políticauso real do poder estatal e disposição para enfrentar custos institucionais.

Se isso é sustentável no longo prazo, o tempo dirá.
Mas fingir que nada mudou em El Salvador (ou tratar os resultados como “mera propaganda”) é negar a evidência mais básica: o país deixou de ser um território dominado por facções.

E isso, goste-se ou não de Bukele, é um fato.

 

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