Violência contra a mulher no Brasil

O desafio do governo Lula diante de recordes de feminicídio e violência sexual.

O Brasil atravessa um dos momentos mais preocupantes dos últimos anos no combate à violência contra a mulher. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que feminicídios e estupros atingiram níveis recordes, revelando que o problema permanece estrutural apesar do aumento da visibilidade do tema no debate público.

Segundo a nota técnica divulgada em março de 2026, o país registrou:

FEMI

Foram 1.492 Feminicídios em 2025: Maior número da série histórica do FBSP.

87.545 Estupros em 2025: Também o maior número já registrado.

Na prática, isso significa que uma mulher foi vítima de estupro a cada poucos minutos no país, enquanto os casos de assassinato motivado por violência de gênero continuaram em trajetória elevada.

O que é feminicídio?

O feminicídio é o assassinato de uma mulher em razão de sua condição de mulher, geralmente associado a violência doméstica, controle, ciúme, posse ou discriminação de gênero.

A legislação brasileira passou a tratar esse crime de forma específica em 2015, durante o governo Dilma Rousseff, e posteriormente houve endurecimento das penas.

Os números que mais preocupam:

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Outros dados relevantes do FBSP

  • A maioria dos feminicídios ocorre dentro de casa.
  • Em grande parte dos casos, o agressor é companheiro ou ex-companheiro.
  • Mulheres negras seguem sendo as principais vítimas da violência letal.
  • Há forte subnotificação em crimes sexuais.

Por que isso virou um problema político para Lula?

FEMI 2

O tema da proteção às mulheres foi uma das bandeiras centrais da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva em 2022.

O governo recriou o Ministério das Mulheres e ampliou programas voltados ao enfrentamento da violência de gênero.

No entanto, os recordes de feminicídio e estupro criaram um desafio político e de gestão:

Como sustentar o discurso de prioridade às mulheres quando os indicadores continuam piorando?

O que o governo Lula fez até agora?

Principais ações feitas pelo Governo Federal:

  • Recriação do Ministério das Mulheres.
  • Ampliação da Casa da Mulher Brasileira.
  • Fortalecimento do Ligue 180.
  • Campanhas de conscientização.
  • Repasses para políticas estaduais e municipais.
  • Integração de dados sobre violência.

Casa da Mulher Brasileira

FEMI 3

O programa busca concentrar em um único local:

  • Delegacia especializada;
  • Atendimento psicológico;
  • Assistência social;
  • Apoio jurídico;
  • Acolhimento temporário.

Por que os números continuam altos?

Especialistas apontam que não existe uma única causa. O problema resulta de fatores simultâneos.

FEMI 4

A responsabilidade é do governo federal?

Esse é um dos pontos mais importantes do debate.

A segurança pública no Brasil é majoritariamente responsabilidade dos estados.

Polícia Civil, Polícia Militar e grande parte da investigação criminal são administradas pelos governos estaduais.

O governo federal pode:

  • Financiar programas;
  • Criar políticas nacionais;
  • Integrar bancos de dados;
  • Coordenar ações;
  • Fazer campanhas.

Mas não controla diretamente a atuação cotidiana das polícias estaduais.

 

O argumento dos críticos

🔺 Crítica política

Críticos do governo afirmam que:

  • Houve forte discurso de proteção às mulheres.
  • Os resultados concretos ainda não apareceram.
  • Os recordes mostram falha de coordenação nacional.
  • O tema perdeu prioridade prática diante de outras agendas.

 

O argumento dos defensores

🔵 Defesa do governo

Já defensores do governo argumentam que:

  • O problema é estrutural e anterior a Lula.
  • Dois anos de governo não seriam suficientes para reverter décadas de violência.
  • A melhora dos registros pode elevar os números inicialmente.
  • As políticas de prevenção levam anos para produzir efeitos.

O que os especialistas dizem?

Há relativo consenso entre pesquisadores de segurança pública de que o Brasil precisa avançar em três frentes simultâneas:

Proteção imediata:

  • Monitoramento de agressores.
  • Botão do pânico.
  • Medidas protetivas mais efetivas.

Prevenção de longo prazo:

  • Educação.
  • Combate à violência doméstica.
  • Programas para homens agressores.

Estrutura estatal:

  • Mais delegacias especializadas.
  • Mais abrigos.
  • Integração entre polícia, Justiça e assistência social.

 

Em termos gerais, o Brasil é um país violento

O Brasil vive uma situação paradoxal: nunca se falou tanto sobre violência contra a mulher e, ao mesmo tempo, os indicadores continuam alarmantes.

O governo Lula assumiu o compromisso político de enfrentá-lo com prioridade mas até agora os números mostram que não está sendo tão efetivo quanto prega em discursos.

Por isso, o debate deixou de ser apenas sobre intenção e passou a ser sobre capacidade de produzir resultados concretos.

Os próximos anos mostrarão se a combinação de políticas federais, ação dos estados e maior mobilização social será suficiente para reduzir uma violência que continua atingindo centenas de milhares de brasileiras todos os anos.

Fontes utilizadas

  • Nota Técnica do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (março de 2026).
  • Reportagem da Gazeta do Povo sobre recordes de feminicídio e violência sexual.

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